Os fios soltos, as fake news e as dúvidas sobre o caso Joice Hasselmann

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O incidente envolvendo a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ocorrido na noite de 17 de julho, ainda é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal e pela Polícia Legislativa. A deputada, que estava em seu apartamento funcional em Brasília, alega ter tido um lapso de consciência que teria durado sete horas e acordado com fraturas, dentes quebrados e manchas de sangue pela residência. O marido dela dormia em um dos quartos do apartamento e diz não ter ouvido nada. Ele foi o primeiro a prestar socorro à parlamentar.

Desde então, os dois grupos policiais já colheram o depoimento da deputada, assim como fizeram nesta terça-feira (27) uma perícia no apartamento funcional. As imagens de câmeras de vigilância foram levadas pelos investigadores mas, segundo a própria deputada, não havia nenhuma delas nas escadarias e na porta do apartamento, o que deve dificultar as investigações.

Esta semana, Joice Hasselmann chegou a dizer que “não teria o mesmo destino” de PC Farias, braço-direito de Collor que morreu em 1996 junto com sua então namorada, Suzana Marcolino. A versão oficial, apontando para um crime passional cometido por Suzana, foi rechaçada por alguns peritos criminais à época.

“Já disse com todas as letras que isso não é coisa de amador, mas de profissional. Ninguém entraria na casa de uma parlamentar para agredi-la dando “tchauzinho” para a Câmera do térreo ou do elevador, tendo tantos pontos cegos no prédio. Não terei o mesmo destino de PC FARIAS”, disse a parlamentar.

O caso ainda conta com algumas pontas a serem desvendados pelos investigadores. Ao mesmo tempo em que Joice diz não se lembrar do que possa ter ocorrido, até o momento a polícia não encontrou movimentações anormais no entorno do bloco onde a parlamentar reside. Também segue em aberto a indicação de uma possível autoria do incidente. Enquanto isso, outros deputados começaram a ser investigados.

Em uma entrevista a imprensa na segunda-feira (26), após prestar depoimento, Joice indicou que pessoas próximas a alertaram que inclusive o Palácio do Planalto poderia estar envolvido no caso. “Há uma história muito cabulosa que, segundo fontes de credibilidade, é uma história que vazou do GSI”, disse.

O general Augusto Heleno, que comanda o Gabinete de Segurança Institucional, disse na sexta (23) que a afirmação “deve ser perturbação consequente da pancada que levou na cabeça”. Bolsonaro limitou-se a dizer, em uma entrevista nesta terça-feira, que a história está “esquisita” e que, por se tratar de parlamentar, é de interesse de todos a solução do caso.

APOIO A BOLSONARO

Joice foi eleita como um dos principais cabos eleitorais de Jair Bolsonaro em São Paulo, mas acabou se distanciando da base de apoio do governo. Os embates públicos contra Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e sua Carla Zambelli (PSL-SP), de quem um dia já foi amiga pessoal, se tornaram constantes e Joice virou alvo de milícias digitais bolsonaristas, sofrendo ataques machistas, principalmente após sua participação na CPMI das Fake News.

Com a revelação do incidente em seu apartamento funcional, novamente as fileiras alinhadas ao discurso do presidente partiram para o ataque contra a parlamentar dissidente. Sites de notícias falsas que demonstram permanente apoio ao bolsonarismo passaram a colocar em dúvida a invasão e consequente agressão da deputada. Para estes grupos, o suposto atentado foi uma “invenção” da parlamentar.

Os polemistas aproveitaram o fato de as câmeras de vigilância do apartamento funcional não terem indicado a presença de estranhos nas áreas de cobertura. “É uma pessoa mitômana, megalomaníaca, acha que é muito mais inteligente do que de fato é e, por achar isso, acha que consegue arquitetar um plano maligno e todo mundo cair nela”, criticou Ítalo Lorenzon, que apresenta um programa de vídeo em um site de fake news alinhado ao governo de Jair Bolsonaro.

Já uma rádio virtual, que se identifica como “conservadora” e que constantemente recebe Eduardo Bolsonaro como convidado, conduziu nesta terça-feira uma pesquisa apenas com seus seguidores, para saber se eles consideravam que a deputada está mentindo – para 98,9% deles, trata-se de uma armação. “Foi um atentado fantasma”, disse, rindo, Thimoteo Oliveira, apresentador da rádio, definindo o caso como uma “piada”.

“Uma linha que a polícia poderia adotar é a daquele filme ‘Poltergeist’, em que os objetos começam a voar, atividade paranormal e tal”, ironizou outro comentarista da rádio. Em ambos os programas bolsonaristas, não havia mulheres comentando o tema.

Fonte: Congresso em Foco

 

 

Legislação contra violência doméstica fica mais dura para agressores

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O Diário Oficial da União desta sexta-feira (29) publica a Lei 14.188/2021, que prevê que agressores sejam afastados imediatamente do lar ou do local de convivência com a mulher em casos de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da vítima ou de seus dependentes, ou se verificado o risco da existência de violência psicológica.

O texto que entra em vigor hoje modifica trechos do Código Penal, na Lei de Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90) e na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). A norma prevê pena de reclusão de um a quatro anos para o crime de lesão corporal cometido contra a mulher “por razões da condição do sexo feminino” e a determinação do afastamento do lar do agressor quando há risco, atual ou iminente, à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher.

“O Brasil quando aprova a criminalização da violência psicológica se coloca à frente de várias nações desenvolvidas. Com ações como essas, vamos debelar esse mal endêmico no nosso país”, avalia da presidente da Associação de Magistrados do Brasil (AMB), Renata Gil. A entidade foi autora da sugestão ao Congresso que deu origem a Lei. A proposta foi entregue em março deste ano aos parlamentares.

X VERMELHO

A lei estabelece ainda o programa de cooperação Sinal Vermelho, com a adoção do X vermelho na palma das mãos, como um sinal silencioso de alerta de agressão contra a mulher. A ideia é que, ao perceber esse sinal na mão de uma mulher, qualquer pessoa possa procurar a polícia para identificar o agressor.

A nova legislação prevê ainda a integração entre os Poderes Executivo e Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, os órgãos de Segurança Pública e entidades e empresas privadas para a promoção e a realização das atividades previstas, que deverão empreender campanhas informativas “a fim de viabilizar a assistência às vítimas”, além de possibilitar a capacitação permanente dos profissionais envolvidos.

DADOS

Desde o início da pandemia da covid-19, os índices de feminicídio cresceram 22,2% em comparação com os meses de março e abril de 2019. Os dados foram publicados em maio de 2021 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Fonte: Agência Brasil