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Desigualdade persiste por falta de investimentos da Prefeitura em infraestrutura e assistencial social

A pujança da região central contrasta com casas caindo nos bairros e falta de manutenção de equipamentos públicos (Fotos: Jotha Lee/Sintram)

Na semana em que o Brasil comemorou a saída do mapa mundial da fome, a Prefeitura de Divinópolis anuncia que 515 famílias cadastradas no Cadastro Único superaram as condições de pobreza (renda de até R$ 218,00 por pessoa) e de baixa renda (de R$ 218,01 até meio salário mínimo por pessoa).

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semds), essas famílias conseguiram melhorar sua renda por meio de programas do governo federal, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). De acordo com a Secretaria, 103 famílias em situação de pobreza passaram a se enquadrar na regra de proteção do Programa Bolsa Família, recebendo 50% do valor do benefício devido ao aumento da renda familiar registrado no mês de julho.

DESIGUALDADES

Os números divulgados pela Prefeitura são muito baixos para os últimos seis anos de administração do prefeito Gleidson Azevedo (Novo), considerando que em 2023, 7.259 famílias viviam em extrema pobreza na cidade. Ainda assim, os programas federais têm melhorado a vida dessas famílias.

A desigualdade social em Divinópolis é uma das maiores do país e os números oficiais do IBGE mostram que faltam políticas públicas efetivas de combate à pobreza na cidade. Segundo o último censo, apenas 39,9% da população ativa de Divinópolis possui emprego com carteira assinada. O rendimento nominal médio na cidade é de 1,2 salários mínimos (R$ 1.821,60).

Os cortes nos investimentos em áreas sociais promovidos pelo prefeito esse ano, poderão agravar ainda mais o quadro da desigualdade social em Divinópolis. A infraestrutra foi uma das áreas mais atingidas pelos cortes em recursos. Em 2024, a Prefeitura de Divinópolis investiu R$ 53,9 milhões em infraestrutura. Esse ano, o investimento nessa área sofreu corte de 45,51%, caidno para R$ 29,4 milhões.

Com isso, a Prefeitura se vê obrigada a se endividar para realizar obras de maior importância, como por exemplo, a ponte que vai ligar os bairros Maria Peçanha e Elizabeth Nogueira, para facilitar acesso ao Hospital Regional, cuja inauguração ninguém sabe exatamente quando ocorrerá. O dinheiro também servirá para construir um novo viaduto sobre a linha férrea e obras estruturais. Para realizar essas obras, a Prefeitura acaba de contrair empréstimo de R$ 50 milhões junto ao Banco do Brasil. A dívida será paga em 10 anos e o custo final do empréstimo ficará próximo de R$ 100 milhões.

Empréstimos como esse só são necessários quando o orçamento não contempla essas rubricas com recursos suficientes e o dinheiro é usado para outras finalidades, como está acontecendo em Divinópolis. Com orçamento de R$ 1,4 bilhão, cortes em infraestrutura são inexplicáveis.  

O prefeito também fez cortes significativos em assistência social. No ano passado foram investidos R$ 42,9 milhões na área, enquanto esse ano, o orçamento prevê R$ 38,6 milhões, um corte substancial de 10,06%.

Diversas áreas ligadas à assistência social sofreram cortes significativos esse ano em Divinópolis. Veja no quadro:

Os cortes no orçamento desse ano atingiram principalmente a população de baixa renda, além de afetar a educação, especialmente na manutenção das escolas.

RESTAURANTE

O Restaurante Popular, também obra do governo Lula entregue a Divinópolis em 2008, último ano da gestão do então Prefeito Demetrius Pereira, é visto pelo Executivo como fator importante na área social da cidade. Durante seis anos consecutivos, o estabelecimento forneceu refeições de qualidade para pessoas de baixa renda. Entretanto, o restaurante foi fechado em 2014 pelo então prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) sem explicações convincentes.

A gestão Gleidson Azevedo, que tem o mérito da reinauguração do restaurante em 2023, vê no empreendimento um grande aliado para beneficiar a população de baixa renda. Segundo a Prefeitura, no primeiro semestre de 2025, o restaurante serviu 9.003 refeições em especial para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Desde a sua reabertura, o Restaurante Popular já serviu mais de 13,6 mil refeições.

Ainda segundo a Prefeitura, atualmente o restaurante atende 600 pessoas diariamente — número que cresce ao considerar as marmitas fornecidas a unidades como a UPA e outros serviços vinculados à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semds). Entre os beneficiários,  10% fazem parte do público cadastrado, considerado em maior vulnerabilidade.

Reportagem: Jotha Lee
Sintram Comunicação


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