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Câmara fica em silêncio sobre graves denúncias feitas por ex-vereador antes de ter o mandato oficialmente cassado

A vereador Priscila da Saúde apresentou evidências claras de vícios no processo de cassação
(Foto: Reprodução/Youtube)

A cassação do mandato do ex-vereador Mário Sérgio Pereira, o Serginho da Saúde (Avante) pela Câmara Municipal de Bambui, ocorrida na segunda-feira (28), revelou que a política da cidade está sob um mar de lama e que as irregularidades se amontoam ao longo dos últimos anos. A mudança de governo no início desse ano piorou ainda mais o quadro político. Blindado pela Câmara Municipal, o prefeito Firmino Júnior (Podemos) passa como um rolo compressor por cima da oposição, engana os cidadãos e está prestes a entregar a administração municipal para organizações sociais, com a terceirização de serviços essenciais.

Firmino Júnior se cercou de assessores que atuam como jagunços na sua blindagem. Atacam servidores e sindicato, ameaçam trabalhadores e exibem sua superioridade adotando táticas de perseguição, intimidação e terrorismo.

Na reunião que votou a cassação de Mário Sérgio, o prefeito enviou à Câmara uma verdadeira tropa de choque comandada por seu secretário de Governo, Alan Jorge Oliveira Cipullo.  As galerias da Câmara foram praticamente ocupadas pelos comandados do governo e após ser confirmada a cassação, Alan Jorge comemorou o feito com um foguetório. Casado com a delegada de Polícia de Bambui, Cláudia Cipullo Oliveira, o assessor foi um dos mais fortes repressores durante a greve dos servidores municipais de Bambuí ocorrida em meados do mês de junho.

DENÚNCIAS

A vereadora Priscila Cristina Pedro Oliveria, a Priscila da Saúde (PSB) único voto contrário à cassação de Mário Sérgio, fez revelações que comprometem a lisura do processo. Oposição ao prefeito  Firmino Júnior (Podemos), a vereadora afirmou que o processo está repleto de falhas e marcado por revanchismo político.

Priscila da Saúde ocupou a presidência da Câmara em 2023 e 2024, sucedendo a Anderson Miguel Leite (PP), que ficou no cargo em 2021 e 2022. Na qualidade de ex-presidente, Priscila teve acesso a documentos e processos. “O vereador Anderson, supostamente recebeu uma denúncia anônima [contra Mário Sérgio] e decidiu encaminhá-la ao Ministério Público”, afirmou Priscila. “Quando eu já era presidente dessa Casa, recebi a informação do Ministério Público que já havia um processo contra o vereador Mário Sérgio para apurar as possíveis denúncias formalizadas pelo vereador Anderson, que já havia tomado uma decisão pela Câmara”, revelou.

Disse que, conforme orientação jurídica, cumpriu a decisão do presidente anterior. “E nós, como Câmara, não tínhamos mecanismos necessários para apurar as denúncias”, afirmou.

A vereadora revelou que na condição de presidente da Câmara realizou algumas “apurações internas”, constatando uma sequência de decisões que podem configurar que houve tramóia no processo. “Embora tenha se noticiado que as denúncias [contra Mário Sérgio] tenham aportado nessa Casa, as diligências realizadas demonstram o contrário. Não se aportou nessa Casa, através de e-mail ou ouvidoria, nenhuma denúncia em desfavor do vereador Mário Sérgio”, afirmou.

Mais grave, ainda, foi a revelação de que, ao contrário do que foi divulgado, o documento encaminhado ao Ministério Público contendo as denúncias, não saiu da Câmara Municipal. “O ofício encaminhando essa denúncia ao MP não saiu da Secretaria da Câmara, pois não consta número e nem arquivo nesse Poder Legislativo. Essa diligência foi feita por servidores, que nada encontraram”, declarou.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA – “Após as eleições, percebi que havia um movimento para cassar o vereador Mário Sérgio, com a maioria alinhada ao prefeito. Fui alertada, que se eu votasse contra a cassação poderia criar uma situação de me afastar ou de me cassar. Isso nos faz questionar a lisura do processo que discutimos”, declarou Priscila.

Sobre a nomeação do vereador Anderson Miguel Leite na Comissão Processante: “É fundamental ressaltar, que o vereador Anderson que fez a denúncia ao Ministério Público possui boletim de ocorrência e uma medida cautelar emitida em seu favor contra o vereador Mário Sérgio. Com isso, ele estava sem dúvida impedido de atuar, de forma imparcial, em qualquer Comissão que julgasse esse caso”, disse Priscila.

FRAUDES – “Presenciei situações e constatei na Câmara Municipal a existência de documentos sem assinatura e outros com datas divergentes que estão lavrados de acordo com os boletins de ocorrência. Diante de tantas inconsistências, a decisão de julgar um vereador, sob essas circunstâncias, seria profundamente injusto”, declarou.

A vereadora disse ainda que recentemente um servidor disse em rede social que a cassação do vereador Mário Sérgio “era o primeiro passo” e o próximo alvo seria ela. “Estamos lidando com uma perseguição política e quero assegurar a toda a população que estou tranquila e consciente de minhas responsabilidades. Não devo nada, não respondo a nenhum processo e se algo vier a ser questionado sobre minha conduta, estarei pronta para apresentar minhas verdades, respaldadas por provas robustas. Isso não me põe medo”, finalizou Priscila da Saúde.

SILÊNCIO NA CÂMARA

O presidente da Câmara, Luciano Cardoso, preferiu ficar em silêncio sobre as graves denúncias feitas pelo ex-vereador Mário Sérgio (Foto: Reprodução/Youtube)

O presidente da Câmara, Luciano Cardoso, o Luciano da Creche (Republicanos) já publicou o Decreto Legislativo 09/2025, que oficializou a cassação do vereador Mário Sérgio. Em nota publicada em rede social, a Câmara informou que será convocado o suplente Augusto Antônio de Faria Neto (Augusto da Farmácia – Avante), mas não disse quando ocorrerá a solenidade de posse.

Sobre as muitas irregularidades denunciadas na condução do processo e as graves acusações feitas pelo então vereador Mário Sérgio antes de sua cassação, o presidente da Câmara preferiu o silêncio. As possíveis fraudes cometidas pelo ex-presidente da Câmara, Anderson Miguel Leite, e as denúncias feitas por Mário Sérgio, inclusive envolvendo recebimento de propina por parte de vereadores para garantir vagas na fila do SUS, não receberam nenhuma explicação do atual presidente do Legislativo.

Na nota publicada no Instagram, a Câmara disse que “o parecer final considerou que houve quebra de decoro parlamentar [por parte de Mário Sérgio], com base em provas constantes nos autos, incluindo laudos técnicos e elementos de investigação apresentados pelo Ministério Público”. E acrescentou: “A Câmara Municipal de Bambuí reitera que todo o procedimento foi conduzido com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à legalidade”.

Reportagem: Jotha Lee
Sintram Comunicação


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