Mais de 168 mil veículos, entre eles 38 mil motocicletas, rodam nas ruas da cidade

Os principais dados do censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que Divinópolis tem grandes desafios urbanísticos. O censo revelou que os principais desafios urbanísticos de Divinópolis incluem o crescimento desordenado, a falta de infraestrutura adequada, a mobilidade urbana e a gestão de resíduos. A expansão da cidade tem gerado problemas como a ocupação irregular de áreas, a pressão sobre os recursos naturais e a necessidade de melhorias na infraestrutura viária e de saneamento.
Existe uma preocupação política na cidade em resolver problemas imediatos, especialmente quando se trata da Câmara Municipal, onde não há estudos que ofereçam possibilidades de implementar políticas públicas para acompanhamento do ritmo de crescimento urbano. Vereadores estão muito mais preocupados com seus currais eleitorais e suas ideologias políticas e religiosas do que na busca de soluções que demandam de propostas corajosas e coletivas.
A cidade tem problemas que são mascarados pelo Executivo pelo discurso fácil do prefeito nas redes sociais e a conivência da Câmara que não fiscaliza e, muito menos cobra ações efetivas para se pensar o futuro da cidade. Não é sem razão que os ex-prefeitos Antônio Martins Guimarães e Aristides Salgado são reverenciados até hoje pela visão de futuro, embora tenham governado Divinópolis numa época em que não se pensava em uma cidade de 240 mil habitantes a tão a curto prazo.
Antônio Martins, que governou a cidade no inicio da década de 1970, foi o responsável pelo traçado da região central, possibilitando hoje vias longas e largas. Já Aristides Salgado teve a coragem de enfrentar a oposição e comerciantes raivosos, quando na década de 1980 teve peito de implantar as primeiras ruas de mão única no Centro: Ruas Goiás, Pernambuco, Minas Gerais e as avenidas 1º de Junho e Getúlio Vargas. Foi também no seu primeiro governo que Aristides Salgado construiu o terminal rodoviário no Bom Pastor, para retirar o tráfego de ônibus intermunicipais da região central.
Foram medidas que irritaram muita gente, conforme contou o ex-prefeito em uma entrevista concedida ao extinto Jornal Magazine no início dos anos 1990. “As pessoas não compreendem que essas medidas devem ser tomadas agora porque se a gente esperar o caos ser implantado para depois buscar soluções, aí será muito mais difícil”, disse ele nesta reportagem de março de 1991.
TRÂNSITO

O aumento do número de veículos e a falta de planejamento adequado para o transporte público têm gerado congestionamentos, dificuldades de acesso a diferentes regiões da cidade e impactos ambientais negativos. Esse é outro desafio que está longe de uma solução. Embora a sinalização tenha melhorado depois de 1983 e outras ruas tenham recebido mão única, desde 2008 não se toma nenhuma medida efetiva de engenharia de trânsito para impedir que a situação se torne insuportável e com soluções mais difíceis em médio prazo.
De acordo com a última atualização do Ministério dos Transportes, em junho, eram 168.214 veículos rodando nas ruas da cidade, dos quais 35.829 são motocicletas. Esse volumoso número de veículos exige um novo planejamento e trânsito, que está longe de ser uma prioridade da Prefeitura. Congestionamentos e lentidão no tráfego são normais nos horários de picos e há pontos em que a situação já é quase insustentável.
Embora haja essa enorme quantidade de veículos em circulação, o transporte coletivo da cidade também é concorrido. De acordo com o Consórcio Transoeste, detentor da concessão do transporte público, a frota é composta por 164 veículos, que transportam uma média de 70 mil pessoas por dia, cerca de 2,1 milhões de passageiros ao mês.
Com mais de 70 mil pessoas utilizando diariamente o transporte público, a superlotação dos ônibus, em horários de pico, é outro desafio que o poder público tem ignorado. Diariamente dezenas de usuários enfrentam outros problemas, como atrasos e linhas suspensas sem aviso, como ocorreu essa semana, com o corte de um dos horários da Linha 16 (São Sebastião/Maria Helena), que causou transtornos para usuários que utilizam o horário entre 17h 18h.
LIXO
A coleta e destinação adequadas de resíduos sólidos são desafios importantes para a gestão. Com o aumento populacional e a expansão urbana, a cidade produz hoje cerca de 100 toneladas diárias de lixo. De acordo com o censo do IBGE de 2022, Divinópolis possui 87.088 imóveis residenciais habitados, sendo 65.600 casas, 727 casas de condomínios e 20.630 apartamentos. A contagem ainda define outros tipos de imóveis, como cortiço e construções inacabadas.
O que chama a atenção é a grande quantidade de lotes vagas na área urbana. O último levantamento realizado ela Prefeitura, indica que são 63.175 lotes vagos em áreas parceladas. De acordo com um levantamento preliminar feito pela Secretaria Municipal de Fiscalização Urbana e Patrimonio (Semfup) a Prefeitura é proprietária de 2.283 lotes urbanos. Segundo a Comissão de Avaliação Imobiliária esse patrimônio está avaliado hoje em R$ 727,6 milhões.
Ainda segundo a Semfump, o inventário dos imóveis do município se encontra em andamento. O levantamento atual, de 2.283 lotes, foi baseado em todos os imóveis cadastrados em nome da Prefeitura no sistema de tributação.
Reportagem: Jotha Lee
Sintram Comunicação