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Vereadora é indiciada por aplicar golpes contra idosos em Minas Gerais

Vereadora é indiciada por aplicar golpes contra idosos em Minas Gerais

A vereadora Isabel Pires negou as acusações
(Foto: Reprodução/Instagram)

A Policia Civil indiciou a vereadora Isabel Pires (Mobiliza), 43 anos, eleita para o seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Araguari, cidade da região do Triângulo Mineiro. A vereadora foi iniciada pelos crimes previstos no artigo 102 do Estatuto do Idoso, artigo 71 do Código Penal e artigo 168 do Código Penal. Um terceiro inquérito está em andamento para apurar mais detalhes do caso.

O artigo 102 do Estatuto do Idoso trata-se de apropriação de bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento de idosos. Já o artigo 71 trata da repetição do crime e o artigo 168 tipifica o o crime de apropriação indébita, que consiste em tomar posse de um bem que pertence a outra pessoa.

O Indiciamento ocorreu após a conclusão de dois inquéritos policiais que apuram crimes de apropriação indevida e estelionato contra idosos em Araguari. As investigações tiveram início após familiares das vítimas registrarem boletins de ocorrência relatando que uma mulher teria realizado saques e empréstimos em nome dos idosos.

As vítimas, de 70 e 79 anos, tiveram valores retirados de suas contas sem autorização. A investigada, de 43 anos, que não possuía relação de parentesco com os idosos, teria utilizado cartões bancários para realizar transações financeiras irregulares.

Segundo a Polícia Civil foi constatado que a Isabel Pires efetuou diversos saques e depósitos em sua conta bancária, incluindo um saque de R$ 9 mil da conta de uma das vítimas, realizado no mesmo dia e local onde a ela aparece em imagens de segurança da agência bancária. Além disso, três dias após a morte do idoso, novos saques foram realizados.

Já na conta da idosa, a Polícia Civil constatou que foram retirados mais de R$ 70 mil e contraída uma dívida de R$ 35 mil em empréstimos bancários sem o consentimento dela. As investigações contaram com a quebra de sigilo bancário, o que possibilitou a identificação das movimentações ilícitas. A vereadora alegou à polícia que apenas auxiliava os idosos, negando qualquer envolvimento nos crimes.

Segundo a Polícia Civil, as investigações seguem em andamento para esclarecer outros possíveis crimes relacionados ao caso.  

CÂMARA

Isabel Pires completou 43 anos no dia 18 de janeiro. Foi eleita para seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Araguari pelo Mobiliza com 983 votos. É presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo.

O Portal do Sintram pediu um posicionamento da Mesa Diretora da Câmara sobre o caso, já que a vereadora indiciada ocupa a presidência de uma comissão que trata diretamente da defesa dos direitos das pessoas. Entretanto, a Câmara encerrou suas atividades nesta sexta-feira as 11h e só retorna no próximo dia 5. O Portal do Sintram não conseguiu contato com a vereadora ou sua defesa. O espaço segue aberto.

Reportagem: Jotha Lee
Com informações da Polícia Civil

Motorista e dono do caminhão que provocou acidente com 39 mortos em Teófilo Otoni são indiciados por homicídio e mais três crimes

Motorista e dono do caminhão que provocou acidente com 39 mortos em Teófilo Otoni são indiciados por homicídio e mais três crimes

A tragédia de Teófilo Otoni deixou 39 motos (Foto: Agência Brasil)

Homicídio, lesão corporal, crimes de trânsito e falsidade ideológica. Essas foram as condutas criminosas apontadas no inquérito policial que apurou as circunstâncias e causas do acidente que resultou na morte de 39 passageiros de um ônibus, ocorrido em dezembro do último ano, na BR-116, em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri. O motorista do caminhão carregado de pedras e o proprietário da empresa de transportes foram indiciados.

De acordo com o chefe do 15º Departamento de Polícia Civil em Teófilo Otoni, delegado-geral Amaury Tenório de Albuquerque, as investigações reuniram diversos elementos de informações, além de provas técnicas e testemunhais, que permitiram esclarecer os fatos e indicar a responsabilização dos investigados. “É um conjunto de provas que apontam que foi um crime doloso”, resumiu.

FATORES

Ao detalhar o resultado da análise, Albuquerque citou fatores que levaram ao acidente, como o sobrepeso da carga. “Hoje, com a perícia, já podemos afirmar que aquela carga estava 77% acima do permitido”, pontua. Os trabalhos periciais indicaram também mudança estrutural na suspensão do semirreboque: “Isso desloca o centro de gravidade e não há, ali, estrutura que aguente um sobrepeso daquele”.

Questões relacionadas com a conduta do motorista também foram levantadas, a exemplo de presença de substâncias proibidas, de uso ilícito, conforme laudo pericial; não respeito à legislação quanto ao descanso; e transitar em excesso de velocidade. “No momento do acidente, o semirreboque estava a 97 km/h. A perícia em estudo aprofundado de velocidade crítica apontou que qualquer velocidade acima de 62 km/h de um conjunto veicular que pesava 103 toneladas, provavelmente, como aconteceu, tombaria”, observou o delegado.

RESPONSABILIZAÇÃO

Por fim, o chefe do 15º Departamento explicou que a responsabilidade atribuída ao proprietário da empresa se deu, além das mortes, por falsidade ideológica, devido ao preenchimento de notas fiscais e do documento de transporte da carga com dados falsos. “Ele insere a pesagem falsa daquelas pedras, provavelmente, para se furtar à fiscalização caso ela acontecesse nas rodovias”, pontuou.

Segundo Albuquerque, ambos os investigados foram indiciados por homicídio (das 39 vítimas fatais) e lesão corporal (referente a outros atingidos). O motorista, de 49 anos, preso preventivamente pela PCMG no dia 21 de janeiro, na cidade de Barra do São Francisco (ES), continua detido no sistema prisional e teve seu indiciamento também por crimes previstos nos artigos 304 e 305 do Código de Trânsito Brasileiro, por deixar o local do acidente e não prestar socorro. Já o proprietário da empresa, ainda foi indiciado por falsidade ideológica.

TRABALHOS PERICIAIS

O acidente ocorreu em 21 de dezembro, envolvendo um ônibus que seguia viagem de São Paulo para a Bahia com 45 ocupantes, uma carreta e um carro, na BR-116, em Teófilo Otoni. No dia dos fatos, equipes da Polícia Civil se deslocaram para o local do fato visando à remoção dos corpos das vítimas, à coleta de vestígios e aos primeiros levantamentos investigativos.

Após análises periciais, foram identificados 39 corpos – por meio de papiloscopia (análise das impressões digitais), odontologia-legal e DNA. As vítimas do acidente, com idades entre 1 ano e dois meses até 64 anos, eram naturais principalmente da Bahia e de São Paulo, constando ainda uma de Minas Gerais e outra da Paraíba.

Em relação à perícia no local do acidente, especialistas da Polícia Civil estiveram na rodovia para coleta de material e análise das evidências. Durante as investigações, a equipe empregou, inclusive, o Laser Scanner 3D, uma tecnologia que permite simular todo o evento, auxiliando na determinação da dinâmica do fato.

Com informações da Polícia Civil