Autor: Jota

Divinópolis e região enfrentam nova onda de incêndios florestais com aumento superior a 260% nas ocorrências

Divinópolis e região enfrentam nova onda de incêndios florestais com aumento superior a 260% nas ocorrências

No ano passado a região do Morro das Antenas ardeu em chamas até ficar quase totalmente destruída (Foto: Jotha Lee/Sintram)

Nos primeiros meses do ano passado a região do Morro das Antenas, uma das áreas urbanas de preservação ambiental de Divinópolis, teve a vegetação praticamente destruída pelas queimadas criminosas que aconteceram em toda sua extensão. A região do Morro, que começa ainda no bairro Niterói e se estende até o Maria Helena, foi praticamente destruída. Essa situação se repte todos os anos e não há nenhuma iniciativa da Prefeitura para tentar reduzir esses ataques incendiários criminosos, que além de provocar imensuráveis e irreversíveis prejuízos ambientais, ainda causam danos e transtornos para a população.

A região do Morro das Antenas é usada como exemplo já que é uma das mais atingidas, porém em 2024 os focos de incêndio na área urbana e rural de Divinópolis superaram os anos anteriores.

A situação em 2025 já causa preocupações ao 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros. A área urbana de Divinópolis ainda não enfrenta focos de incêndio, mas na região já há preocupações, inclusive com o aumento dos focos de incêndios florestais em relação ao ano passado.

Em nota oficial, o 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros expressou sua preocupação com o crescimento dos incêndios florestais esse ano em sua na região de atuação, que abrange 58 municípios. Somente nos três primeiros meses do ano, foram registrados 229 incêndios florestais, um crescimento alarmante de 263,49% em relação ao mesmo período do ano passado , quando houve 63 ocorrências. “O aumento dos focos de incêndio chama ainda mais a atenção pelo fato de estarmos no período chuvoso, época em que, historicamente, os índices de queimadas costumam ser reduzidos”, afirma o Corpo de Bombeiros.

O levantamento de uma série histórica mostra uma tendência crescente nos últimos anos. Em 2023, foram registrados 43 incêndios florestais até março, enquanto em 2022 o número foi ainda menor, com 28 ocorrências no mesmo período. Segundo o Corpo de Bombeiros, o crescimento dos incêndios em mais de 160% nos primeiros três meses desse ano “levanta preocupações sobre as causas e impactos das queimadas, além de reforçar a necessidade de medidas preventivas”.

POSSÍVEIS CAUSAS E IMPACTOS

O  Corpo de Bombeiros avalia que o aumento da temperatura média e intervenções humanas, como queimadas irregulares, podem estar impulsionando essa elevação nos casos de incêndios florestais. O baixo índice de chuvas regulares pode trazer curtos períodos de estiagem mesmo em meses tipicamente chuvosos, outro fator que também deve ser considerado.

Os impactos são diversos e vão desde a destruição da fauna e flora até problemas respiratórios na população devido à fumaça, além de danos à infraestrutura e ao abastecimento de água, já que os incêndios podem acelerar o processo de seca em nascentes e mananciais.

O 10º Batalhão de Bombeiros alerta para a importância da conscientização e da denúncia de queimadas irregulares. “O aumento expressivo dos incêndios em um período que deveria ser mais úmido acende um sinal de alerta. Precisamos que a população colabore, evitando um ano inteiro de queimadas e acionando os bombeiros ao perceber qualquer foco de incêndio”, destacou o comandante da 1ª Companhia Operacional, Capitão Antônio Vaz.

Além da fiscalização, campanhas educativas serão adiantadas pelos bombeiros para orientar moradores e produtores rurais sobre os riscos das queimadas. “Diante desse cenário preocupante, reforçamos a necessidade de um trabalho conjunto entre poder público e sociedade para conter o avanço dos incêndios florestais na região”, destacou o Corpo de Bombeiros em nota oficial.

Reportagem: Jotha Lee
Sintram Comunicação

MP denuncia duas pessoas por homicídio de 39 passageiros de ônibus na BR-116 em Teófilo Otoni

MP denuncia duas pessoas por homicídio de 39 passageiros de ônibus na BR-116 em Teófilo Otoni

O acidente na BR-116 deixou 39 mortos (Foto: Corpo de Bombeiros)

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 6ª Promotoria de Justiça de Teófilo Otoni, ofereceu denúncia contra duas pessoas pela morte de 39 passageiros em um acidente de trânsito. Essas pessoas viajavam em um ônibus na BR-116, na altura do km 286,5, na zona rural do município de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, no dia 21 de dezembro do ano passado. 

Os denunciados foram o motorista da carreta, Arilton Bastos Alves, de onde se soltou o bloco de granito que causou o acidente e o dono da empresa de transporte responsável pelo veículo. Eles responderão na Justiça pelo homicídio das 39 pessoas, qualificado pelo uso de meio que resultou em perigo comum e que dificultou a defesa das vítimas, e por 11 tentativas de homicídio, com as mesmas qualificadoras, contra outras pessoas que estavam no ônibus e em um carro que também se envolveu no acidente. 

O motorista da carreta foi denunciado, ainda, por ter deixado de prestar apoio às vítimas e por ter se afastado do local para fugir das responsabilidades penal e civil decorrentes do evento. O dono da empresa de transporte, por sua vez, também responderá judicialmente pelo crime de falsidade ideológica, por ter inserido ou ordenado a inserção de dados falsos no Manifesto de Carga, com o intuito de burlar possíveis fiscalizações.

A COLISÃO

O Ministério Público apurou que o motorista da carreta conduzia o veículo tracionando dois semirreboques, carregados com dois blocos de quartzito, com peso de 80,68 toneladas que, somadas ao peso da composição veicular, totalizava 103,68 toneladas. Ao efetuar uma curva, em velocidade excessiva, o segundo semirreboque tombou sobre a pista, atingindo a lateral de caminhão-baú que trafegava na via. 

O semirreboque então se desprendeu da carreta, soltando o bloco de quartzito que sustentava, com peso de 36,43 toneladas. A peça percorreu alguns metros e atingiu o ônibus da empresa Entram, da linha São Paulo/SP X Elísio Medrado/BA, que se deslocava em sentido contrário, logo atrás do caminhão-baú. 

Na sequência, um veículo de passeio, que trafegava na retaguarda do ônibus, chocou-se contra o semirreboque, já sem o bloco, que ficou atravessado na pista, na contramão. Em razão disso, uma caminhonete que seguia logo atrás bateu na traseira do veículo. 

A violenta colisão do bloco de quartzito contra o ônibus provocou a explosão do coletivo, que foi tomado por chamas. Entre as vítimas fatais, estavam um bebê de um ano, duas crianças de 9 anos e uma de 12 anos. 

RISCO DE MATAR

Conforme a Promotoria de Justiça, os denunciados assumiram o risco de matar em razão de diversos fatores, entre eles: excessivo sobrepeso da carga; excesso de velocidade; capacidade do motorista alterada pela influência de álcool e droga; jornada exaustiva de trabalho, sem os descansos exigidos e por longos períodos noturnos; modificações estruturais realizadas no veículo, sem autorização oficial; desgaste dos pneus e falhas nos sistemas de amarração e tensionamento dos blocos; e condução do veículo com a Carteira Nacional de Habilitação suspensa.

De acordo com as investigações, o Peso Bruto Total Combinado (PBTC) da composição veicular e da carga totalizava 103,68 toneladas, número muito superior às determinações do fabricante da carreta e dos semirreboques e da Autorização Especial de Trânsito (AET), que fixava o limite máximo 74 toneladas. 

O MP ainda destaca na denúncia que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) proíbe o uso de Combinação de Veículos de Carga (CVC) com PBTC superior a 58,5 toneladas no transporte de rocha ornamentais ou chapas serradas, exceto nos casos de transporte em contêineres. Contudo, verificou-se que o PBTC de 103,68 toneladas corresponde a um sobrepeso de 77% acima do limite máximo permitido.

Além disso, o tacógrafo do veículo informou que a carreta chegou a atingir velocidade de 132 km/h, quando a recomendada para aquele tipo de transporte e sobrepeso era de 62 km/h. “No momento dos fatos, que ocorreu em uma curva perigosa, ficou apurado que o denunciado trafegava a uma velocidade de 97 km/h, quando o limite permitido era 80 km/h e o recomendado 62 km/h”, afirma a denúncia. 

Em relação ao dono da empresa responsável pela carreta, ficou demonstrado que ele autorizou o transporte dos blocos com peso muito superior ao limite legal, “tendo em vista que toda a operação de transporte, inclusive a determinação de carregamento com um excessivo sobrepeso, foi ordenada por ele”, destaca a Promotoria de Justiça.

Conforme as apurações, o proprietário da empresa também realizou ou ordenou a realização de modificações estruturais no segundo semirreboque, sem a devida autorização e certificação oficial, o que contribuiu para a instabilidade do veículo e agravou o risco de tombamento, além de ter autorizado, determinado ou permitido outras irregularidades no veículo. 

Nesta segunda-feira (10), primeiro dia útil após a denúncia, o processo foi encaminhado para a 1ª Vara Criminal de Teófilo Otoni, que vai decidir se aceita ou não a acusação. Não há prazo para a aceitação ou rejeição da denúncia.

Com informações do MP