11/11/2025 - 14h23
Principal foco da investigação está em uma das cidades mais atingidas pelas enchentes

A Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (11) a Operação Lamaçal. A meta é apurar crimes contra a administração pública e lavagem de capitais oriundos de desvio de recursos públicos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados à Prefeitura da cidade de Lajeado, no Rio Grande do Sul, em razão das enchentes ocorridas em maio de 2024.
Em nota, a PF informou que foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, além do sequestro de 10 veículos e do bloqueio de ativos somando quase R$ 4,5 milhões. As buscas aconteceram nos municípios gaúchos de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Guaporé, Carlos Barbosa, São Leopoldo e Novo Hamburgo, além da capital – Porto Alegre.

A prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher (PP), ainda não se manifestou. A Prefeitura da cidade foi uma das que mais receberam recursos estaduais e federais para recuperação após a enchente.
“No decorrer do inquérito policial, foi possível verificar irregularidades em procedimento licitatório realizado pela prefeitura municipal de Lajeado para contratação de empresa, tendo como objeto a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista”, destacou o comunicado da Polícia Federal.
Segundo a PF, a dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. “Há indícios de que a contratação direta da empresa investigada tenha ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e os valores contratados estariam acima do valor de mercado”. O valor total dos dois contratos é de cerca de R$ 120 milhões.
Os investigados poderão responder pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, bem como por lavagem de capitais.
DESDOBRAMENTOS
Em nota, o governo do Rio Grande do Sul informou que a investigação não tem qualquer relação com a atuação de Marcelo Caumo enquanto secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do estado. Ele esteve à frente da prefeitura de Lajeado no período de 2017 e 2023. “À época dos fatos relatados, Marcelo Caumo atuava na administração municipal na cidade de Lajeado”, confirmou o governo estadual em comunicado.
“Ainda que a apuração seja sobre contratos firmados antes do ingresso dele no quadro do Executivo estadual, o governo reforça sua absoluta disposição para auxiliar a Polícia Federal na investigação dentro do que for possível. O governo do estado aguardará os desdobramentos da apuração, resguardando o direito de defesa e contraditório dos envolvidos”, concluiu a nota.
A ENCHENTE
Dia 1º de maio de 2024, por volta das 20h30, o nível do Rio Taquari alcançava a marca de 29,75 metros em Lajeado. A enchente de setembro de 2023, até então a maior da história a partir de uma revisão de dados, ficara para trás. Menos de oito meses depois, a região voltava a enfrentar um cenário de catástrofe climática.
Naquela noite, as águas do Taquari inundaram a ponte seca na BR-386, pela primeira vez. Horas depois, foi a vez da ponte entre Lajeado e Estrela. As imagens da estrutura submersa correram o país. Na manhã do dia 2, a correnteza do Forqueta arrastou as únicas ligações entre Lajeado e Arroio do Meio e também a travessia entre Marques de Souza e Travesseiro.
O ápice da cheia ocorreu por volta das 13h30. A medição do Taquari naquele momento apontava 33,35 metros em Lajeado, incríveis 20 metros acima do nível normal. A elevação de apenas cinco centímetros em uma hora, somada às informações de redução na região alta, indicava estabilização.
Somente no dia 7 de maio, exatamente uma semana após o rio atingir a cota de inundação, é que a situação se normalizou. Uma tragédia sem precedentes. No entanto, institutos de meteorologia projetavam, com antecedência, um evento de chuva extrema com alto risco de enchentes no RS. Como em setembro de 2023. E nenhuma medida preventiva foi adotada.
Com informações da Agência Brasil