14/11/2025 - 13h40

A prática de utilizar o fogo para a limpeza de lotes urbanos é antiga em Divinópolis. Basta chegar o tempo seco e a cidade se vê coberta de fumaça e fuligem, tal é a grande quantidade de queimadas observadas na área urbana. Além dos lotes, as queimadas criminosas ainda atingem áreas de proteção ambiental e colocam em risco a saúde e a vida dos moradores.
Os números são alarmantes. Em 2024, o 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros registrou 916 queimadas no município de Divinópolis. Desse total, 677 queimadas criminosas ocorreram no perímetro urbano, o que corresponde a 73,90% das ocorrências. Foram 386 queimadas em lotes vagos e 291 em áreas urbanas protegidas. Esse ano, até o fim de agosto, o Corpo de Bombeiros registrou 391 queimadas na zona urbana da cidade
As áreas urbanas protegidas atingidas pelas queimadas criminosas correspondem a terrenos desocupados, onde há densa vegetação e que enquadra como área de proteção ambiental. É o caso, por exemplo, do Morro das Antenas, que todos os anos tem a vegetação devastada pelas queimadas criminosas. Em 2024, por exemplo, foram mais de 20 incêndios na região do Morro das Antenas.
RECOMPENSA
Sem nenhuma iniciativa prática em vigor para conter os incendiários, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) encaminhou à Câmara Municipal no final de agosto o Projeto de Lei 59/2025 que cria o Programa de Incentivo à Cidadania. O programa incentivará o cidadão a fiscalizar e cria uma recompensa em dinheiro para denúncias que levem à identificação dos autores de atos de vandalismo, especialmente de degradação ao meio ambiente.
A proposta prevê recompensa para quem denunciar pichação ou grafite não autorizado, furto ou vandalismo de fiação elétrica, cabos, equipamentos públicos ou mobiliário urbano, descarte irregular de resíduos sólidos em áreas públicas ou privadas, depredação ou destruição ou qualquer dano em bens públicos, queimadas e lotes sujos. A recompensa corresponderá a 20% do valor da multa aplicada ao infrator.
O Projeto tramita já há quase três meses e foi colocado na pauta da sessão da Câmara desta quinta-feira (13), porém não foi votada. O vereador Flávio Marra (PRD) fez um pedido de sobrestamento de 30 dias, alegando que pretende melhorar a proposta, incluindo também a recompensa para quem denunciar crimes contra os animais.
A iniciativa do vereador foi aplaudida por entidades de proteção animal, porém, após três meses de tramitação, já houve tempo suficiente para que a proposta recebesse emendas e modificações. Para garantir que o projeto se transforme em Lei, ele deve ser votado até o dia 31 de dezembro. Caso isso não ocorra, será arquivado automaticamente.
Reportagem: Jotha Lee
Sintram Comunicação