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Professora Simone: paixão pela cultura negra e pelos negros
    Do Sintram, em Divinópolis - MG
    05/12/2017 10h34 • Atualizado em 05/12/2017 11h23
  • Todas as manhãs ela está no Centro Técnico Pedagógico (Cetepe) e, à tarde, corre para a Escola Estadual Patronato Bom Pastor. Nas duas escolas, ela ensina matemática, disciplina que até hoje ainda atemoriza boa parte dos estudantes. O aprendizado depende da boa vontade do aluno e, principalmente, da capacidade e paciência do professor. Simone Gonzaga, filha de Dona Aparecida e Walter Gonzaga, tem capacidade e paciência de sobra. Professora da rede municipal há 13 anos, não consegue se imaginar em outra profissão. “Eu sempre quis ser professora”, relata.


    Apaixonada por geometria, cujo objeto é o estudo do espaço e das figuras que podem ocupá-lo, Simone diz que esse é quase o patinho feio da matemática. “Poucos são os professores que se dedicam à geometria”, conta Simone. Essa parte da matemática, a paciência e a determinação da escola, levaram a professora a se descobrir também uma artesã.

     


    Em novembro, o Cetepe orientou seus professores que tratassem da questão do racismo já que é o mês dedicado à Consciência Negra. Apaixonada pela cultura negra e combatente de toda forma de racismo, Simone Gonzaga procurou tratar da questão de forma a estimular seus alunos a conhecer um pouco da história dos negros no Brasil, especialmente o sofrimento do período da escravidão, uma parte triste e dolorida da história brasileira.

     

    TRIÂNGULO
    Aconselhada por uma amiga, a também professora Thaisa, Simone Gonzaga decidiu que as bonecas Abayomi seriam perfeitas para contar parte da história dos negros no Brasil. Juntou retalhos de tecidos que já estavam guardados em sua casa e, na escola, ao lado dos alunos, a professora descobriu a habilidade da artesã. “Queria produzir as bonecas junto com meus alunos, para aumentar seus conhecimentos e sua auto-estima, já que temos turmas muito difíceis e essa era uma forma de falar da questão negra acompanhada de uma atividade coletiva”, relata.


    A professroa conta que a gemoetria teve influência na escolha das bonecas Abayomi para tratar da consciência negra com seus estudantes. As bonecas são confeccionadas de pano, sem qualquer tipo de costura, cola ou outro material. “O triângulo e o círculo são presenças constantes na confecção das bonecas e somente nós são utilziados para dar as formas”, revela Simone.

     

    ABAYOMi
    Profunda conhecedora da cultura negra, ela relata que a palavra “abayomi” tem origem ioruba, que é um dialeto da família linguística nígero-congolesa falado secularmente pelos iorubas em diversos países ao sul do Saara. Simone conta que abayomi foi o nome dado a uma boneca negra, significando aquele que traz felicidade ou alegria e na tradução quer dizer encontro precioso. O nome é comum na África, principalmente na África do sul, embora também seja encontrado com frequência até o norte da África, e mais raramente, no Brasil.

     

     

     

    Simone Gonzaga descreve as bonecas como um artesanato muito simples, a partir de sobras de pano reaproveitadas, feitas apenas com nós, sem o uso de cola ou costura. Segundo ela, a boneca abayomi foi criada para as crianças na época da escravidão. “As mulheres negras confeccionavam as bonecas com pedaços de suas saias, único pano encontrado nos navios negreiros que transportavam os escravos para seus futuros compradores. Como as viagens eram muito longas, as mães faziam as bonecas para acalmar e trazer alegria para seus filhos”, relata a professora.


    Diante da provocação da escola, Simone descobriu seu lado artesão e junto as seus alunos do Cetepe, confeccionou os primeiros modelos e montou um painel chamando a atenção para a questão do racismo. O painel, que continua exposto no Cetepe, foi montado com a produção feita pela professora e pelos alunos, que a acompanharam durante o processo de confecção das mais de 30 bonecas.


    Já no Patronato Bom Pastor, onde leciona no período da tarde, Simone decidiu repetir o artesanato dentro do Projeto “Educação pela Vida”. Ela conta que trata-se de um projeto da escola, que dá liberdade aos professores durante uma semana para ministrar aulas que fogem do conteúdo programático, podendo abordar diversos tempos. Com seus alunos do Patronato, ela também confeccionou cerca de 30 peças e o resultado é um painel que chama a atenção pela singeleza, pelas cores e pelo grande significado que a boneca Abayomi tem na história negra. “Meu objetivo foi trabalhar o crescimento desses alunos como seres humanos. Acho que trabalhar o crescimento é uma educação pela vida”, afirma.


    Simone diz que depois de se descobrir artesã pretende continua confeccionando as bonecas Abayomi e se emociona quando fala do sofrimento dos negros no período da escravidão. Conta muitas histórias e fala de sua emoção durante as várias visitas que fez à Casa da Moeda em Ouro Preto, um dos símbolos da escravidão no Brasil. Entre essas histórias, que para ela tem um significado importante, é o que ele chama de tentativa dos ‘brancos de acabar e menosprezar a cultura negra. “Feitiço? Isso não existe. Quando os escravos fugiam dos engenhos, cansados e famintos, eles eram alimentados pelos negros que vivam nos Quilombos, que deixavam comida no meio das matas e, ao lado do alimento, sempre havia uma vela acesa, para que o fugitivo pudesse localizá-lo. E disso veio a história do feitiço, que nada mais é do que o branco acabando e menosprezando a história e a cultura dos negros. Nos dias atuais, o racismo é patente, existe em todos os segmentos e precisamos educar nossas crianças a crescerem sabendo que a cor não diferencia o homem”, finaliza.

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